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quarta-feira, 12 de janeiro de 2011
terça-feira, 11 de janeiro de 2011
segunda-feira, 27 de dezembro de 2010
sábado, 11 de dezembro de 2010
terça-feira, 7 de dezembro de 2010
sábado, 4 de dezembro de 2010
Byting #4
Hoje é dia de duplo Byting! :)
"Os Barbixas" e o seu espectáculo Improvável, poderia ser também com letra minúscula, são agora os protagonistas. Talvez já os conheçam ou tenham ouvido um ou outro nome (Rafinha Bastos? Marcelo Tas? Daniel Nascimento?)
Este projecto humorístico nasceu no Brasil pela Cia. Barbixas de Humor, as suas características mais vincadas encontram-se na interacção com o público (inspirado no Whose Line Is It Anyway?), na improbabilidade das situações e no "desenrasque" dos participantes.
Um exemplo:
O vídeo acima não representa a única tipologia de desafios: há uma grande diversidade de jogos. O público participa, indicando em que local se irá realizar a acção. Os tópicos servem para mostrar e explicar alguns desses jogos:
Abecedário - imaginando que são apenas dois participantes: o primeiro jogador começa a frase com a letra A, o segundo jogador tem de responder com a letra B. O primeiro jogador, seguindo a sequência, terá que continuar com a letra C e assim sucessivamente até se chegar novamente à primeira letra do alfabeto.
Cenas Improváveis - o público escolhe uma cena que os actores terão que interpretar.
Frases - cada actor recebe duas frases que serão incluídas no seu diálogo.
Só Perguntas - diálogo realizado apenas com perguntas.
Troca - há uma conversa entre dois jogadores, quando a buzina toca a última frase tem que ser trocada de sentido.
Nota: Cliquem nos links para visualizarem os exemplos.
Todos eles são hilariantes, com saídas geniais ou mirabolantes, mesmo quando não conseguem estar à altura. Portugal poderia apostar num espectáculo como este: contamos com excelentes actores e capazes de nos fazerem soltar altas e boas gargalhadas.
"Os Barbixas" e o seu espectáculo Improvável, poderia ser também com letra minúscula, são agora os protagonistas. Talvez já os conheçam ou tenham ouvido um ou outro nome (Rafinha Bastos? Marcelo Tas? Daniel Nascimento?)
Este projecto humorístico nasceu no Brasil pela Cia. Barbixas de Humor, as suas características mais vincadas encontram-se na interacção com o público (inspirado no Whose Line Is It Anyway?), na improbabilidade das situações e no "desenrasque" dos participantes.
Um exemplo:
O vídeo acima não representa a única tipologia de desafios: há uma grande diversidade de jogos. O público participa, indicando em que local se irá realizar a acção. Os tópicos servem para mostrar e explicar alguns desses jogos:
Abecedário - imaginando que são apenas dois participantes: o primeiro jogador começa a frase com a letra A, o segundo jogador tem de responder com a letra B. O primeiro jogador, seguindo a sequência, terá que continuar com a letra C e assim sucessivamente até se chegar novamente à primeira letra do alfabeto.
Cenas Improváveis - o público escolhe uma cena que os actores terão que interpretar.
Frases - cada actor recebe duas frases que serão incluídas no seu diálogo.
Só Perguntas - diálogo realizado apenas com perguntas.
Troca - há uma conversa entre dois jogadores, quando a buzina toca a última frase tem que ser trocada de sentido.
Nota: Cliquem nos links para visualizarem os exemplos.
Todos eles são hilariantes, com saídas geniais ou mirabolantes, mesmo quando não conseguem estar à altura. Portugal poderia apostar num espectáculo como este: contamos com excelentes actores e capazes de nos fazerem soltar altas e boas gargalhadas.
sábado, 20 de novembro de 2010
domingo, 17 de outubro de 2010
Byting #1
Mais uma rubricazinha para mostrar aquilo que me inspira ou com o que mais me identifico. Hoje quero falar-vos um pouco da minha infância (+ adolescência). Com traquinices e dramatismo q.b.
A maior parte da minha existência foi passada entre quatro paredes (muito introvertida, muito caseira...), pelo que o meu tempo era passado entre músicas e livros que ainda hoje me apaixonam. Nesse espaço muito próprio também criava os meus textos, as minhas teorias e opiniões. A maior das minhas vontades é deixar neste mundo algo muito meu, do qual me orgulhe.
O vídeo abaixo é de um senhor que em menino era também assim, sozinho. Nesse mundo só seu criou universos maravilhosos. Acho que todos os génios nascem assim (não que eu esteja perto de ser um).
P.S. Eu nunca gostei muito de máquinas, mas o sentimento tende a mudar depois de visualizar o vídeo acima e ainda este de Theo Jansen.
A maior parte da minha existência foi passada entre quatro paredes (muito introvertida, muito caseira...), pelo que o meu tempo era passado entre músicas e livros que ainda hoje me apaixonam. Nesse espaço muito próprio também criava os meus textos, as minhas teorias e opiniões. A maior das minhas vontades é deixar neste mundo algo muito meu, do qual me orgulhe.
O vídeo abaixo é de um senhor que em menino era também assim, sozinho. Nesse mundo só seu criou universos maravilhosos. Acho que todos os génios nascem assim (não que eu esteja perto de ser um).
P.S. Eu nunca gostei muito de máquinas, mas o sentimento tende a mudar depois de visualizar o vídeo acima e ainda este de Theo Jansen.
quinta-feira, 8 de julho de 2010
Estupidez consumista
«Estamos a tornar-nos mais estúpidos porque vivemos numa sociedade na qual temos de ser consumidores para que essa sociedade sobreviva. E para ser consumidor, é preciso ser estúpido, porque uma pessoa inteligente nunca gastaria 300 euros num par de calças de ganga rasgadas. É preciso ser mesmo estúpido para isso. Essa educação da estupidez faz-se desde muito cedo, desde o jardim de infância. É preciso um esforço muito grande para diluir a inteligência das crianças, mas estamos a fazê-lo muito bem. Estamos a conseguir destruir aos poucos os sistemas educativos, éticos e morais, o valor do acto intelectual.»«A escola não tem culpa, é a nossa sociedade que é culpada. A escola, a universidade, deveriam ser o lugar onde a imaginação tem campo livre, onde se aprende a pensar, a reflectir, sem qualquer meta. Mas isso é algo que estamos a eliminar em todo o mundo. Estamos a transformar os centros de ensino em centros de treino. Estamos a criar escravos. Somos a primeira sociedade que entrega os seus filhos à escravidão, sem qualquer sentimento de culpa. Nesses centros de aprendizagem, estamos a criar seres humanos que não confiam nas suas próprias capacidades e que começam a acreditar que o seu único objectivo na vida é arranjar trabalho para conseguir sobreviver até chegar à reforma – que também já lhes estão a tirar. O que estamos a fazer é horrível. Não tem nada a ver com os valores da Internet, com a competência do professor, faz tudo parte de um conjunto. Somos culpados enquanto sociedade.»Alberto Manguel - escritor
(copiado daqui)
A cadeira de publicidade é uma das minhas preferidas do meu curso, e isto porque posso dar largas à minha imaginação. Não há muitas outras onde isso seja possível, infelizmente. Percebo que tudo tenha as suas regras e limites, que a teoria e a cultura são importantes. Contudo fico muitas vezes a pensar que os livros posso lê-los em casa, com mais calma e com as devidas reflexões feitas. Sou da opinião de que nas aulas deveria haver mais debates.
Ultimamente, tempo é o que mais me falta entre os trabalhos, as leituras e o estudo (apesar de já estar de 'férias'). Admito que reflexão tem havido muito pouca e é pena. Sei que amanhã esquecerei metade do que aprendi hoje...
segunda-feira, 19 de abril de 2010
copia-me!
Há um certo orgulho no “corta e cola”. Ele reside na superioridade da rapidez, na falta de esforço. Naquela boa nota sem brilhantismo nenhum.
O CTRL (C+V), tão inocente, confia na cegueira de quem o lê. Infelizmente, o corte não é feito apenas no texto...
Inspirarmo-nos nos outros para criar a nossa própria identidade é inevitável. Só assim se cresce. Absorvemos um conjunto de características e adequamo-las à nossa unicidade: isso é a descoberta do que nos identifica.
A plena absorção (sem qualquer mudança) é algo mais do que a entrega daquilo que (não) somos. É também renúncia. Falta de confiança.
Aos quatro cliques do plágio não se poderá chamar de pesquisa. Falta-lhe o método, a ética, a autenticidade. Estes macaquinhos (ou muletas) são monótonos, ilegais e quase que omnipresentes. Muitas das vezes têm sotaque brasileiro; mas não por muito tempo: o Novo Acordo Ortográfico será a sua quinta perna.
A criatividade faz parte do espírito humano; com ela o mundo é transfigurável e adequa-se às nossas necessidades e desejos. Cortar um texto é retirar mundos ao mundo. Desculpem-me o cliché.
Todavia, os plagiadores também sabem ser criativos! Na bibliografia, por exemplo. Em seu poder está um manto de invisibilidade com características excepcionais, esconde e revela autores à sua mercê e ainda lhes troca a identidade!
Não é surpresa, então, que se vejam recorrentemente textos impregnados de erros ortográficos e/ou gramaticais. Ou que se ouçam perguntas, digamos, pouco adequadas. Ou básicas...
O futuro preocupa-me.
sexta-feira, 2 de abril de 2010
mini perfeição
Ser imperfeito é ser especial. Aí reside o Absoluto.
Ser imperfeito é ser belo. A perfeição é monótona e aborrecida. A perfeição é um fim. Eu gosto é do antes. No fim já não sou nada. O nada não existe, o nada não é belo. A imperfeição é eterna.
Os momentos percem e migram para a memória. Não deviam. Não devia existir memória. Ela desgasta os melhores momentos e embeleza aqueles que não foram assim tão bons. É demasiado imperfeita e por isso demasiado bela.
Diz-se que o Homem é imperfeito. Demorem-se nas suas curvas e adormeçam com as suas palavras, corem perante o seu olhar e derretam-se a cada gesto. Conceberiam algo ainda mais belo?
Mais belo só o amor. Em borboletas espalha-nos o sangue no espírito que adormece nos sentidos. Tudo tem aquele doce gosto da primeira vez, todos os dias. O amor só existe na perfeição imperfeita: a verdadeira perfeição. Aquela pela qual todos os dias nos apaixonamos.
Ser imperfeito é ser belo. A perfeição é monótona e aborrecida. A perfeição é um fim. Eu gosto é do antes. No fim já não sou nada. O nada não existe, o nada não é belo. A imperfeição é eterna.
Os momentos percem e migram para a memória. Não deviam. Não devia existir memória. Ela desgasta os melhores momentos e embeleza aqueles que não foram assim tão bons. É demasiado imperfeita e por isso demasiado bela.
Diz-se que o Homem é imperfeito. Demorem-se nas suas curvas e adormeçam com as suas palavras, corem perante o seu olhar e derretam-se a cada gesto. Conceberiam algo ainda mais belo?
Mais belo só o amor. Em borboletas espalha-nos o sangue no espírito que adormece nos sentidos. Tudo tem aquele doce gosto da primeira vez, todos os dias. O amor só existe na perfeição imperfeita: a verdadeira perfeição. Aquela pela qual todos os dias nos apaixonamos.
quinta-feira, 18 de março de 2010
Se ironia fosse livro, era S. Cipriano
A máscara é a nossa identidade: o real em plasticina. Ao revelarmo-nos ao outro, escondemo-nos nas suas expectativas; por vezes até aquilo que queremos dizer é dissimulado.
A ironia é a minha massa preferida. A máscara por baixo da máscara, um desafio aos sentidos, uma busca pela enciclopédia de cada um.
Mesmo quando censura, ela é alegre e faz-nos cócegas ao cortéx. Quanto mais oculta, melhor a gargalhada: mesmo se não a percebemos!
Porém, a ironia não é aceite por toda a gente, em todas as situações: nas peles mais delicadas, ela pode ser sentida como hipocrisia ou sarcasmo.
A sua energia mais positiva é aplicada no humor. Aprova-se o proíbido e o polémico, enlevando risos como um mágico puxando lenços. No jornalismo aumenta-se o calor e o prato é servido a quente, na sua função crítica e do encite ao debate.
Ela é ainda uma criança, o seu passatempo preferido é brincar. A dos criativos também. Assim, esta figura de estilo torna-se no remédio certo para o enjôo invasivo que, por vezes, a publicidade nos consegue provocar.
O verde-ácido, também associado ao veneno, acutila-nos em vários momentos do nosso dia. Seja pela língua, seja pelos ouvidos. Umas vezes mais verde, outras um pouco mais ácida. Ora, é de constatar que a ironia tem a cor dos olhos de quem a vê.
Nícia Cruz
A ironia é a minha massa preferida. A máscara por baixo da máscara, um desafio aos sentidos, uma busca pela enciclopédia de cada um.
Mesmo quando censura, ela é alegre e faz-nos cócegas ao cortéx. Quanto mais oculta, melhor a gargalhada: mesmo se não a percebemos!
Porém, a ironia não é aceite por toda a gente, em todas as situações: nas peles mais delicadas, ela pode ser sentida como hipocrisia ou sarcasmo.
A sua energia mais positiva é aplicada no humor. Aprova-se o proíbido e o polémico, enlevando risos como um mágico puxando lenços. No jornalismo aumenta-se o calor e o prato é servido a quente, na sua função crítica e do encite ao debate.
Ela é ainda uma criança, o seu passatempo preferido é brincar. A dos criativos também. Assim, esta figura de estilo torna-se no remédio certo para o enjôo invasivo que, por vezes, a publicidade nos consegue provocar.
O verde-ácido, também associado ao veneno, acutila-nos em vários momentos do nosso dia. Seja pela língua, seja pelos ouvidos. Umas vezes mais verde, outras um pouco mais ácida. Ora, é de constatar que a ironia tem a cor dos olhos de quem a vê.
Nícia Cruz
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sábado, 6 de março de 2010
não sou humano, sou gay! v.2
Esta é a segunda versão da crónica Não sou humano, sou gay! escrita para o programa de rádio do meu estágio. A crónica foi lida em directo e as alterações foram feitas para que esta melhor se adequasse ao meio.
No fim do semestre ser-me-á cedida a gravação e, se a universidade o permitir e todos os participantes do programa estiverem de acordo, colocarei aqui para o poderem ouvir.
Num próximo post, falarei um pouco sobre essa experiência e disponibilizarei a minha reportagem de rádio.
Agora a crónica 2.0. :)
Portugal não tem falta de sangue. Nem de preconceitos. Pelo menos foi o que me pareceu depois de ouvir os depoimentos de Gabriel Olim. “Se diz que é homossexual, a avaliação está feita por si”, refere o presidente do Instituto Português do Sangue. Por outras palavras, sou homossexual, logo tenho comportamentos de risco.
Não é que estagnámos nos anos 80 e 2009 está apenas no calendário do resto do mundo? Sim, porque recentemente as estatísticas demonstraram que para cada 6 heterossexuais portadores do vírus HIV existiriam apenas 2 homo/bissexuais.
Há que entender que não existem “grupos de risco”, mas comportamentos de risco. Um homem heterossexual que tenha vários parceiros está a ter um comportamento de risco. Um homossexual, praticante de sexo seguro, não. E vice-versa.
Terá um homossexual o sangue estragado, sujo ou doente? O seu acto é nobre, mas não a sua linhagem sanguínea? Quais os argumentos científicos que o comprovam?
Dar sangue é um dever que não deveria estar interdito a ninguém. Recusar sangue por mero preconceito não revela insegurança, mas falta de informação.
Para além disso, o ser humano parece ter prazer em estar doente. Se ter preconceito infecta o sangue, metade da população mundial já deveria ter infectado a outra metade. Parem com as doações, que nenhum sangue é viável!
Atenção, também sou a favor da segurança. Um dia também poderei precisar de sangue. Mas é para isso que servem os testes. Ou afinal os médicos não confiam na Ciência?
sábado, 20 de fevereiro de 2010
tic...tac...
(English version soon)
Tic-tac. Tic-tac. Tic-tac. "Depressa: o tempo foge e arrasta-nos consigo: o momento em que falo já está longe de mim" (Nicolas Boileau).
O tempo está em vias de extinção: a procura é crescente, a oferta regular. E o relógio não pára (tica-tac-tic-tac), recusa-se a oferecer-nos sequer mais uma hora.
Tic-tac. Tic-tac. Tic-tac. "Depressa: o tempo foge e arrasta-nos consigo: o momento em que falo já está longe de mim" (Nicolas Boileau).
O tempo está em vias de extinção: a procura é crescente, a oferta regular. E o relógio não pára (tica-tac-tic-tac), recusa-se a oferecer-nos sequer mais uma hora.
Todo o nosso quotidiano exige a nossa atenção e nós ansiamos apenas um tempo para nós. Será?
A maioria pensa que sim, quando pensa. Sim, porque muitas vezes deixamos a tecnologia pensar por nós. Mas já aí vamos.
Comecemos por escavar um pouco mais o assunto anterior e meditar na nossa rotina: há algum momento na tua vida em que digas "agora sim, estou sozinho(a)"? Eu não me lembro da última vez em que estive sozinha. Talvez antes do advento do telemóvel.
Não teremos medo de estarmos com o nosso eu, a nossa consciência? Do vazio? Das entre-linhas? Em casa entregamo-nos à televisão numa imagem atrás de imagem, ou à Internet, aos jogos, ao MP3, ... "Não ao silêncio! Tenho medo dos meus pensamentos. Ainda sei pensar? Alguém que pense por mim, me diga o que fazer. Goooogle!"
Os média, ou qualquer outra actividade que utilizamos para ocupar o nosso tempo, servem não só para encher a barriga de emoções, mas mais importante ainda: para nos esquivarmos de perguntas realmente importantes e que poderiam assaltar o nosso bem-estar.
(Já repararam que utilizamos a tecnologia para ter mais tempo e simultaneamente para "matar" esse tal tempo?)
Existirá um Deus? Somos mesmo responsáveis pelos nossos actos? Tenho que me sentir culpado(a) por aquilo que fiz (ou não fiz)? O que estou aqui a fazer? O que fiz com a minha vida? Vivi realmente? Tenho as minhas próprias opiniões ou deverei ser tosquiado(a)? E a morte? Ai, a morte. Será cedo, será tarde? Haverá algo depois disso? Vai doer?
Ninguém quer saber. Não me falem do oceano, uma gota já é demasiado salgada. A primeira camada da cebola já faz chorar. Tenho medo das minhas respostas: só quero ser feliz e ignorante. E para isso basta a superficialidade. Há até quem diga que «"googlar antes de twitar" é o novo "pensar antes de agir"»...
Nessa altura (antes do telemóvel e outras tecnologias) lembro-me de ter "mais tempo". Um leitor de CD's, um livro, caneta e papel eram os materiais e companheiros suficientes para me entreter. Agora tenho tudo isso no computador, ao qual se junta à Internet, e não consigo tirar daqui o rabo.
Uma única plataforma, mais rápida e, no entanto, muito menos produtiva do que seria suposto. O factor distracção aumentou proporcionalmente. E não sou a única nesta situação, há milhares como eu. Como tu? (Engraçado como num clima de sedentarismo o ideal de beleza é o 0% de gordura.)
Enganem-se os que consideram que este sentimento opressivo é relativamente recente ou fruto pecaminoso da tão amada Internet. Culpem a Revolução Industrial (já lá vão dois séculos!).
Eu também fiquei admirada ao ler que George Elliot, em 1859, dizia que o tempo livre acabou («leisure is gone»). E Nietzsche, em 1882, queixando-se que vivíamos como se fôssemos perder alguma coisa («one lives as if one might "miss out something."»). (GITLIN, Media Unlimited)
A RI obrigou os trabalhadores a produzirem a um ritmo mais rápido, para que a cidade prosperasse. Sabiam que a palavra velocidade significava isso mesmo: prosperidade? Agora é definida quase por ela mesma, um sinónimo poderá ser a acelaração.
Para além disso, actualmente trabalhamos mais horas. Já se ouviram grandes protestos relativamente a este assunto. Porém, para a maior parte, a felicidade encontra-se não no lazer, mas nos bens materiais. Curioso, não?
Mais uma reflexão. Já está enraizado na nossa mente de que dinheiro é sinónimo de felicidade. Muitas vezes é mais do que isso, gerando preconceitos. Dinheiro pode tornar-se, assim, o mesmo que beleza, ou inteligência. E até de dignidade! Mas isto são outras histórias.
O dinheiro é uma forma de poder. O poder de satisfazer não as nossas necessidades, nem sequer os nossos desejos, mas sim os nossos caprichos.
Trabalha-se a vida toda para chegar à reforma e poder viver: zero preocupações, muito tempo livre. (O_o?!)
Quando "todo o tempo do mundo" estava nas nossas mãos lutámos para poder pagar algo que nos foi oferecido e só será aproveitado depois da vida passar.
Mais meditações numa próxima paragem. Até lá!
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