A máscara é a nossa identidade: o real em plasticina. Ao revelarmo-nos ao outro, escondemo-nos nas suas expectativas; por vezes até aquilo que queremos dizer é dissimulado.
A ironia é a minha massa preferida. A máscara por baixo da máscara, um desafio aos sentidos, uma busca pela enciclopédia de cada um.
Mesmo quando censura, ela é alegre e faz-nos cócegas ao cortéx. Quanto mais oculta, melhor a gargalhada: mesmo se não a percebemos!
Porém, a ironia não é aceite por toda a gente, em todas as situações: nas peles mais delicadas, ela pode ser sentida como hipocrisia ou sarcasmo.
A sua energia mais positiva é aplicada no humor. Aprova-se o proíbido e o polémico, enlevando risos como um mágico puxando lenços. No jornalismo aumenta-se o calor e o prato é servido a quente, na sua função crítica e do encite ao debate.
Ela é ainda uma criança, o seu passatempo preferido é brincar. A dos criativos também. Assim, esta figura de estilo torna-se no remédio certo para o enjôo invasivo que, por vezes, a publicidade nos consegue provocar.
O verde-ácido, também associado ao veneno, acutila-nos em vários momentos do nosso dia. Seja pela língua, seja pelos ouvidos. Umas vezes mais verde, outras um pouco mais ácida. Ora, é de constatar que a ironia tem a cor dos olhos de quem a vê.
Nícia Cruz