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sábado, 22 de junho de 2013

olhos nos olhos



Desde que mudei, o meu mundo mudou. Aquela versão escura, cheia de medos e indecisões já desapareceu quase por completo. Não consigo definir o que catalisou essa mudança. Se foi o facto de ter emagrecido, de me sentir útil e valorizada no voluntariado, por ter conhecido pessoas fantásticas em contextos diferentes ao que estava habituada. Das novas experiências.

Ou então, a vontade de ser feliz. Der por onde der. De atingir os meus sonhos. Ninguém o poderá fazer por mim. De ser aquilo que sempre quis ser e nunca tive coragem.

Vesti-me das cores que tanto gosto. Coloquei um sorriso e pus o olhar no sol. A motivação está, agora, virada para o coração. Sei ser feliz, mesmo nas adversidades. Essa é a minha maior conquista. E tudo é tão mais fácil! “Sorri para a vida e ela sorrir-te-á de volta”.


E ontem... ontem trouxe-me novos desafios. Há quem diga que a maquilhagem é uma máscara. No entanto, vi que pode revelar quem nós somos. As olheiras não me definem como pessoa, o brilho do meu olhar, sim. Quero aprender a transformar-me por fora, como já o fiz por dentro. Quero mostrar quem sou, quero ser uma versão melhor de mim mesma e, acima de tudo, melhorar ainda mais a minha auto-estima, redobrar a minha auto-confiança e ser ainda mais feliz.

Que venha um novo dia, na partilha de ideias e de emoções, na criação de experiências e novos mundos!

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

O eu pelo tu

via Pinterest

Acabei recentemente de ler o primeiro volume do diário de Anaïs Nin. Tirando Isabel Allende, não há muitas mais escritoras que me inspirem. O meu Moleskine está agora cheio de citações e notas. E de palavras soltas para uma pesquisa mais profunda.

Eu poderia ser Anaïs. Por pouco partilharíamos o mesmo nome. Não tendo essa sorte, fiquei com o seu amor pela vida, a sua personalidade sonhadora, o anseio por ser vários eus. O sentimentalismo e a sensibilidade. A alegria de escrever, o lirismo. O paradoxo. O medo da sua verdadeira natureza não ser compreendida. O amor pelo amor.

E por isso cá estou eu outra vez:

O frio arrepia toda a casa. Nem a caneca de chocolate quente a consegue aquecer. Não há aquecedores nem tem lareira. A crise económica já atacou os corpos da população. A alma, essa nunca foi livre.

Entre o comprar e o deitar fora ficou a dívida que durará uma vida a ser paga. Todos se adornam, pensando que beleza é felicidade ou que esta se embrulha em papéis dourados, brilhantes, árduos de encontrar.

Tal como a avestruz, o povo meteu a cabeça dentro da televisão. Sentiu-se tão confortável que de lá já não consegue sair. Prometeram-lhe fama, felicidade instantânea. Tão instantâneo como o chocolate que estava a beber. Quando o que eles querem dizer é ‘prazer fragmentado’. Breve. Inestimável. Mas só porque não tem valor algum.

Sexo, mentiras e música pimba. Corpos perfeitos em mentes pútridas. 0% de pensamento crítico.

Eles lá sabem o que é a felicidade. Não vem em barras luzidias nem em embalagens ultracongeladas. Não vem sequer em livros, mas mesmo que viesse ninguém os leria. Eles lá sabem o que é a felicidade porque desconhecem o amor.

Andam todos à procura de adrenalina, do sabor do momento, das sensações arrebatadoras. Mas o amor não é o coração palpitante, não são as borboletas no estômago, nem súbita sensação de calor. Amor não é fisicalidade.

Amar é compreender a vida. É entregar-se à vida. É deixar de ser humano para se ser natureza. É deixar o um para se ser o todos. Amar é aprender a morrer.


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sábado, 20 de novembro de 2010

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